AVALIAāŐO DA INCIDśNCIA DE SINTOMAS DEPRESSIVOS EM ALUNOS DE 1Ľ A 4Ľ SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL, A PARTIR DO INVENTÁRIO DE DE

AVALIAāŐO DA INCIDśNCIA DE SINTOMAS DEPRESSIVOS EM ALUNOS DE 1Ľ A 4Ľ SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL, A PARTIR DO INVENTÁRIO DE DEPRESSŐO INFANTIL (CDI)

 

EVALUATION OF THE INCIDENCE OF DEPRESSIVE SIMPTOMS IN STUDENTS FROM THE FIRST TO FOURTH GRADE OF ELEMENTARY SCHOOL, FROM CHILDREN’S DEPRESSION INVENTORY (CDI)

 

Fernandes GV*, Castro PF**

 

RESUMO: O presente estudo objetiva avaliar a incidźncia de sintomas depressivos em crianćas de 1Ľ a 4Ľ série do Ensino Fundamental, procurando estabelecer um comparativo com as questões sóciodemográficas das crianćas envolvidas na pesquisa. A depressčo infantil nčo é mais negada nos dias de hoje, estudos destacam que até 2,5% das crianćas e 8,5% dos adolescentes passam por depressčo. Participaram da pesquisa 80 crianćas com idade média de 8,13 anos, sendo 40 crianćas de uma escola pública e as outras 40 de uma escola privada, ambas situadas na Grande Sčo Paulo. O instrumento utilizado foi o Inventário de Depressčo Infantil (CDI), que detecta aspectos gerais da sintomatologia depressiva. Os resultados revelaram que 15% das crianćas da escola pública e 5% da escola privada possuem sintomas depressivos, dentre elas, 62% sčo meninos e 38% meninas. Os principais sintomas depressivos observados na escola pública foram os de fadiga, solidčo, tristeza, perturbaćčo no sono, pessimismo, sentimento de menos valia, de culpa e preocupaćčo. Na escola privada, os principais sintomas detectados foram sentimentos de menos valia, desobediźncia / rebeldia, pessimismo, anedonia, culpa, choro, preocupaćčo e solidčo. Fatores educacionais, relacionados diretamente a elementos sócioculturais, interferiram nos resultados da pesquisa e na aplicaćčo literal do CDI, mostrando a necessidade de um aprimoramento do instrumento em seus procedimentos de aplicaćčo, para que a avaliaćčo da sintomatologia depressiva possa se tornar mais precisa. Assim, serčo necessários estudos mais amplos, que contribuam para essas questões.

Palavras-chave: Depressčo Infantil. Psicopatologia. Avaliaćčo Psicológica. CDI

 

ABSTRACT: The present study objectified to evaluate the incidence of depressive symptoms in children from the first to fourth grade, establishing a comparative with socio-demographic questions in children that composed the sample. Children depression no more is refused nowadays, studies emphasize that until 2,5% of the children and 8,5% of the teenagers go through depression. In this research, participated 80 children with a mean age of 8,13 : 40 of them were from public school, and the other 40 at a private school, both located in Sčo Paulo City. The instrument utilized was Children’s Depression Inventory (CDI), which detects general aspects of depressive symptoms. The results revealed that 15% from public school and 5% from private school presents depressive symptoms, among them, 62% are boys and 38% are girls. The principal depressive symptoms observed in public school were about fatigue, loneliness, sadness, sleep disturbance, pessimism, decline self-esteem, blame and preoccupation. At the private school, the principal detected symptoms were: decline self-esteem, disobedience, rebelliousness, pessimism, anhedonia, blame, crying, preoccupation and loneliness. Educational factors, related directly to socio-cultural elements, interfered in the results of search and in the literal application of CDI, showing a necessity of refinement of the instrument in its proceedings application, for the assessment of  depressive symptoms can become more precise. Thus, larger studies are needed which contribute to these issues.

Keywords: Childhood Depression. Psychopatology. Psychological Assessment. CDI.

 

INTRODUāŐO

 

Questões iniciais sobre depressčo infantil

Nas últimas décadas, o tema depressčo tem sido alvo de grande destaque, especialmente da psiquiatria. Há grande quantidade de pesquisas, colóquios e publicaćões destinados a tratar do tema, como também um grande investimento da indústria farmacológica para a medicaćčo antidepressiva. 1

Segundo Bahls2, é previsto que a depressčo seja uma das doenćas que substitua as tradicionais doenćas infecciosas e de má nutrićčo e, que até 2020, seja a segunda enfermidade de maior incidźncia.

De acordo com a World Health Organization3, estima-se que 121 milhões de pessoas tenderčo sofrer de depressčo: 5,8% dos homens e 9,5% das mulheres poderčo experienciar um episódio depressivo em determinada idade. Kehl4, esclarece que 3% da populaćčo norte-americana sofre de depressčo crônica, cerca de 19 milhões de pessoas, das quais 2 milhões sčo crianćas. Aponta também, que a depressčo é a principal causa de incapacitaćčo em pessoas acima de cinco anos de idade e que os suicídios entre jovens e crianćas de 10 a 14 anos aumentaram 120% entre 1980 e 1990.

Miller5 destaca que até 2,5% das crianćas e 8,5% dos adolescentes passam por depressčo. De acordo com o autor, a depressčo varia de acordo com o sexo. Em garotos na pré-puberdade, os sintomas depressivos sčo duas vezes mais comuns do que em garotas; entretanto, em garotas na pós-puberdade, após os doze anos, os sintomas depressivos eram duas vezes mais comuns. Esses dados, de acordo com o autor, sugerem que fatores genéticos, biológicos, sociais e culturais podem estar relacionados com o distúrbio.

 

Do conceito de depressčo ą depressčo infantil

A depressčo tem sido registrada desde a Antiguidade. Emil Kraepelin, em sua época, destacou-se por sua significativa contribuićčo, na qual elaborou conhecimentos de psiquiatras franceses e alemčes, descrevendo a psicose maníaco-depressiva para o estabelecimento do diagnóstico de transtorno bipolar I.6 Miller5, expõe que Kraepelin, no final do século XIX, constatou que o período de normalidade entre episódios depressivos tornava-se menor a cada novo episódio sucessivo, como também verificou que o primeiro episódio depressivo era desencadeado por um estressor razoavelmente grave, porém, os episódios subsequentes, nčo necessitavam de um grande estressor para induzir a um próximo episódio depressivo.

De acordo com a Classificaćčo de Transtornos Mentais e de Comportamentos – CID-107, em sua décima revisčo, é apresentado o quadro descrito como F32 – Episódio Depressivo – que se refere a indivíduos que usualmente sofrem de humor deprimido, perda de interesse e prazer, e energia reduzida, levando a uma fatigabilidade aumentada e atividade diminuída. Outros sintomas comuns sčo: concentraćčo e atenćčo diminuídas; autoestima e autoconfianća reduzidas; idéias de culpa e inutilidade; visões desoladas e pessimistas do futuro; idéias ou atos autolesivos ou suicídio; sono perturbado; apetite diminuído.

De acordo com a Associaćčo de Psiquiatria Americana8, responsável pela publicaćčo do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM-IV, no que refere aos transtornos depressivos, podem-se destacar: transtorno depressivo maior, transtorno distímico, transtorno depressivo sem outra especificaćčo. Em relaćčo aos especificadores descrevendo o episódio de humor mais recente, há as variedades leve, moderado, severo sem aspectos psicóticos, severo com aspectos psicóticos, em remissčo parcial, em remissčo completa, crônico, com características catatônicas, com características melancólicas, com características atípicas.

            Porto9, ao se referir ą classificaćčo do DSM-IV, tece críticas ao conceito de depressčo maior, considerando-o excessivamente abrangente, por isso, pouco preciso. Já o conceito de melancolia apresentado pelo DSM-IV, segundo o autor, é muito mais preciso. Para ele, os sentimentos de tristeza e alegria fazem parte da vida psíquica normal. A tristeza é uma resposta universal ąs situaćões de perda, derrota, desapontamento, entre outras contrariedades. O autor expõe, em seu estudo, os significados do termo “depressčo”. Na linguagem corrente, é empregado para designar um estado afetivo normal (tristeza); um sintoma, como resposta a situaćões estressantes ou a circunstČncias sociais e econômicas adversas; uma síndrome que inclui uma gama de alteraćões, entre eles: alteraćões de humor, cognitivas, psicomotoras e vegetativas e, finalmente, caracteriza a depressčo como uma doenća.

A depressčo enquanto quadro nosográfico da psiquiatria infantil, tornou-se objeto de interesse no século XX, a partir da década de 1960; porém, de acordo com Miller5, a idéia de crianća deprimida foi aceita mais amplamente a partir da década de 1970, passando a ser descrita com critérios e diagnósticos precisos. Um dos momentos em que foi determinante para suscitar o interesse dos profissionais de saúde por essa patologia, foi a descrićčo dada por Spitz10 de depressčo anaclítica, que se refere ą separaćčo da crianća de seu objeto libidinal, ou seja, a crianća permanece privada de sua mče sem ter recebido um substituto aceitável, por um período de cinco meses ou mais.

Como descreve a Associaćčo de Psiquiatria Americana8, no que diz respeito ao episódio depressivo maior, em crianćas e adolescentes o humor irritável ou rabugento poderá aparecer ao invés do triste ou abatido, como também uma queda abrupta no rendimento escolar, podendo refletir dificuldade de concentraćčo que é um dos critérios do episódio. Em relaćčo ą comorbidade, Rodríguez11 aponta que os transtornos afetivos em crianćas e adolescentes sčo associados variedades de outros transtornos. Dentre os que ocorrem concomitantemente com a depressčo está o Transtorno por Déficit de Atenćčo com Hiperatividade (TDAH), Transtornos de Ansiedade e Transtorno de Conduta.

De acordo com Ajuriaguerra12, o termo depressčo nčo possui na crianća o mesmo sentido que a depressčo do adulto; o conteúdo nčo é o mesmo e representa uma experiźncia diferente, de acordo com a idade manifesta.

 

Depressčo: ponto de vista psicanalítico

Segundo os aportes psicanalíticos, a depressčo tem profunda relaćčo com a perda do objeto de amor, seja ela real ou simbólica. Klein13 elabora o conceito de posićčo depressiva, que designa a fase do desenvolvimento na qual a crianća é capaz de reconhecer o objeto na sua totalidade e estabelecer relaćões com ele. A crianća reconhece a mče como separada dela, com uma vida própria e como alguém que mantém relaćões com outras pessoas. Para a autora, “somente depois que o objeto tenha sido amado como um todo, poderá sua perda ser sentida como um todo” (p. 358). A partir dessa tomada de consciźncia da crianća, instala-se um desamparo, uma completa dependźncia e ciúme. A ansiedade da crianća origina-se da ambivalźncia e ela tem medo de que sejam seus próprios impulsos destrutivos que destruam o objeto que ela ama e do qual depende totalmente.

Como expõe a autora, quanto mais a crianća conseguir manter relaćões de afinidade com sua mče, mais facilmente a posićčo depressiva conseguirá ser sobrepujada, mas, sobretudo, o sucesso desse processo depende da forma como a crianća encontrará uma saída para o conflito de amor, ódio e sadismo incontroláveis. As tendźncias de reparaćčo tźm um papel importante no processo de superaćčo da posićčo depressiva infantil. Nesse processo há mudanćas psicológicas que incluem a maturaćčo do ego para o desenvolvimento do seu sentido de realidade psíquica e realidade externa; daí a importČncia de circunstČncias favoráveis, para que esse desenvolvimento seja adequado.

            A forma de compreender esse processo do desenvolvimento do bebź é muito produtiva, principalmente para o esclarecimento da etiologia das neuroses e psicoses, como também para a compreensčo de padrões depressivos da crianća. Para Klein13, a posićčo depressiva é o ponto central do desenvolvimento da crianća, a sua evolućčo normal e sua capacidade de amor, segundo a autora, baseia-se principalmente na forma como o ego elabora e supera essa posićčo.

Winnicott14 acrescenta que há uma carźncia existencial nesse estado de desenvolvimento, que surge no momento do desmame. Segundo o autor, se tudo correr bem nesse período, a posićčo depressiva é atingida e se estabiliza na segunda metade do primeiro ano.

Rodríguez11, considera que o que irá estabelecer a diferenća entre a depressčo como um processo normal do desenvolvimento de uma enfermidade depressiva, será a intensidade e duraćčo do fenômeno.

Freud15 esclarece que no sofrimento do luto, há uma reaćčo ą perda de um objeto amoroso, ou seja, o indivíduo sabe o que perdeu, conscientemente. A realidade dessa perda exige que toda a libido seja retirada de suas ligaćões com aquele objeto. Esse desinvestimento libidinal ocorre pouco a pouco e, durante esse processo, há uma inibićčo e perda de interesse pelo mundo externo; a libido é recolhida e volta ao ego. Quando o processo do luto cessa, a libido que havia sido recolhida, volta a ser investida em objetos externos.

Já na melancolia, de acordo com o autor, também há a experiźncia de perda do objeto amoroso, porém, ao contrário do processo de luto, o indivíduo sabe quem perdeu, mas nčo claramente o que foi perdido nesse alguém. Portanto, a melancolia está relacionada a uma perda objetal inconsciente. Nesse caso, a libido também é retirada do objeto perdido e volta-se para o ego, mas, diferente do luto, nčo há um reinvestimento dessa libido, ela aprisiona-se ao ego. A principal diferenća é que no luto há um empobrecimento do mundo externo; na melancolia, é o próprio ego que sucumbe.

Recentemente, reflexões retratam quadros de depressčo sem tristeza, ou seja, um conjunto de conteúdos psíquicos que levam a um quadro depressivo, sem a manifestaćčo sintomática de tristeza. Nesses casos, a falta da subjetivaćčo pessoal leva o paciente a uma ruptura emocional, com conteúdos psicológicos comprometidos.16 Tal versčo distancia o sintoma de tristeza da depressčo clássica, apontada nos manuais descritivos.7,8

 

Pesquisas sobre depressčo infantil

Pensando sob esse enfoque, a depressčo, dependendo de sua seriedade, nčo só inibe intelectualmente a crianća, mas a impossibilita de relacionar-se com o mundo externo de forma satisfatória, tamanha sua absorćčo interna, resultado de seus conflitos e angústias.

De acordo com Bahls2, o fenômeno da depressčo em crianćas e adolescentes, está mais frequente e ocorre cada vez mais cedo. De acordo com o autor, em crianćas pré-escolares, idade entre seis e sete anos, as manifestaćões clínicas mais comuns sčo os sintomas físicos, principalmente dores físicas e abdominais, fadiga e tontura. Essas queixas físicas seriam seguidas por ansiedade (especialmente a de separaćčo), fobias, agitaćčo psicomotora ou hiperatividade, irritabilidade, diminuićčo do apetite com dificuldade de atingir o peso adequado, e alteraćões no sono. O autor expõe que, também nessa fase, há a ocorrźncia de enurese, fisionomia triste, comunicaćčo deficiente, choro frequente, movimentos repetitivos e auto e (ou) heteroagressividade. O prazer de brincar ou ir ą escola comumente diminuem.

Shafii e Shaffi17, destacam que o comportamento autodestrutivo na forma de bater a cabeća severa e rapidamente, morder-se, engolir objetos perigosos e a propensčo a acidentes, podem ser equivalentes a comportamentos suicidas em crianćas que nčo verbalizam emoćões.

Já em crianćas escolares, idade de sete a doze anos, Bahls2 aponta que o humor depressivo já pode ser verbalizado e é relatado, frequentemente, como tristeza, irritabilidade ou tédio. O declínio e fracasso escolar ficam mais acentuados nessa fase, afinal, há uma significativa diminuićčo da concentraćčo e interesse, próprios do quadro depressivo.

Sandler e Joffe18, no que se refere ą combinaćčo de alguns elementos que constituem a reaćčo depressiva infantil, apresentam os seguintes elementos: crianća triste, infeliz, deprimida; atitude de retraimento e desinteresse; insatisfaćčo, com pouca capacidade de sentir prazer; sentimento de ser rejeitada ou mal amada; incapacidade de receber ou pedir ajuda; tendźncia geral a regredir a uma fase com aumentos das necessidades orais; insônia ou outros distúrbios do sono; atividades autoeróticas; dificuldade de estabelecer um bom contato com o terapeuta.

As alteraćões de comportamento observadas em crianćas sčo muito importantes, por serem episódicas, e devem ser rigorosamente observadas, principalmente quando o fato das alteraćões ocorre sem aparente explicaćčo. As crianćas que tinham uma conduta comportamental adequada e adaptada podem, repentinamente indicar irritaćčo, destrutividade associadas ą dificuldade em seguir regras que antes seguiam19.

Bahls2, aborda que tanto em crianćas pré-escolares como nas escolares, a depressčo torna-se clara quando se observam temas das fantasias, desejos, sonhos, brincadeiras e jogos, como conteúdos predominantes de fracasso, frustraćčo, destruićčo, ferimentos, perdas ou abandonos, culpa, excesso de autocrítica e morte. O autor destaca que os professores sčo, frequentemente, os primeiros a perceberem as modificaćões decorrentes da depressčo nessas crianćas.

Para Assumpćčo19, os sintomas depressivos em crianćas também podem acompanhar sintomas psicóticos, reconhecidos com o aparecimento de idéias delirantes e alucinaćões, predominantemente auditivas e de caráter persecutório ou religioso, assim como as alucinaćões táteis e visuais, embora mais raras. De acordo com o autor, as idéias suicidas também nčo sčo raras, apesar de dificilmente acontecerem antes dos dez anos de idade, isto provavelmente pelo próprio desenvolvimento cognitivo, “que dá um instrumental muito pobre para o planejamento e avaliaćčo dos próprios atos”.

Em relaćčo ą etiologia, Coutinho20 afirma que os transtornos depressivos em crianćas nčo sčo semelhantes aos dos adultos. Em sua tese, aponta, de modo geral, que entre os sintomas mais frequentes da depressčo infantil destacam-se a tristeza, atitude de retraimento e desinteresse, insatisfaćčo, pouca capacidade de sentir prazer, sentimento de ser rejeitada ou mal-amada, incapacidade de pedir ou receber ajuda, insônia ou outros distúrbios do sono.

Miller5, ao estabelecer diferenćas entre a depressčo adulta e infantil, aborda que quando o episódio depressivo é diagnosticado em crianćas, normalmente é o primeiro, enquanto que em adultos já ocorreram vários episódios depressivos. As crianćas que experienciam episódios depressivos, terčo alta probabilidade de sofrerem outros episódios. De acordo com o autor, há grandes vantagens em se detectar precocemente os sintomas depressivos e fornecer tratamento imediato. Dessa forma, quando o primeiro episódio depressivo ocorre na infČncia, ele deve ser considerado grave em termos de chance de recorrźncia.

A idéia da existźncia de uma patologia familiar é defendida por Rodríguez11, a autora descreve trźs grandes tendźncias das famílias de crianćas e adolescentes deprimidos. A primeira seria de uma incidźncia elevada de depressčo em crianćas por meio de um processo de identificaćčo. A segunda trata de famílias com grandes dificuldades de manejarem sentimentos de hostilidade e agressčo; além de agredirem a crianća, a impedem de expressar seus sentimentos negativos, castigando-as; isto por se constituírem em objetos que nčo podem tolerar a agressčo da crianća, pois se deprimem profundamente e se culpabilizam. A terceira tendźncia, em famílias onde há o desprezo em relaćčo ą crianća.

Para Bandim, Sougey, Carvalho, Barbosa e Fonseca21, “a entrevista com os pais e os dados colhidos junto ą escola, tornam-se fundamentais para se fazer um diagnóstico preciso”. Nčo se deve negar a existźncia de uma relaćčo entre a escola e família, como diz Faria22, “de uma maneira ou de outra, onipresente ou discreta, agradável ou ameaćadora, a escola faz parte da vida cotidiana de cada família”. Principalmente nos dias de hoje, há uma exaltaćčo da necessidade de se estabelecer um diálogo entre a escola e família. Isto, no que diz respeito ao diagnóstico precoce da sintomatologia depressiva, é bastante significativo.

A falta de informaćčo de pais e professores sobre a depressčo infantil pode contribuir para aumentar as dificuldades dos alunos e causar inúmeras sequelas emocionais no futuro. É evidente que família e educadores nčo estčo preparados para fazer um diagnóstico nas crianćas. Cabe ressaltar que nem é esse o papel dos mesmos. No entanto, um olhar mais atento a essas crianćas permite que sejam reconhecidas mais cedo e encaminhas para um diagnóstico mais cuidadoso associado ą intervenćčo necessária23.

Para os pais, aceitar que seu filho está com depressčo é causa de muita ansiedade e, como coloca Rodríguez11, admitir que algo está errado, pode suscitar a fantasia de que fracassaram como pais.

Diante do que foi abordado até entčo, pode-se observar que a depressčo infantil é um tema atual com estudos e pesquisas recentes, o que deve mobilizar a atuaćčo dos profissionais envolvidos com essa problemática. Para tanto, a escola e a família tem um papel fundamental nesse processo.

Atualmente, nčo se questiona o fato de que as crianćas possam ficar deprimidas, e é bem provável que seus sintomas fiquem mais evidentes no contexto escolar, pois as crianćas passam grande parte, se nčo todo o dia, nesse ambiente.

Em uma pesquisa realizada por Bandim et al.24 sobre o rendimento escolar em crianćas de nove a doze anos com sintomas depressivos, de uma escola particular na cidade de Recife-PE, houve como resultado um prejuízo significativo no desempenho escolar em todas as matérias, especialmente em Portuguźs e Ciźncias, quando comparados com crianćas sem sintomas depressivos.

Andriola e Cavalcante25 , avaliaram a depressčo em alunos pré-escolares por meio da Escala de Sintomatologia Depressiva para Professores (ESDM-P), em uma amostra composta por 345 alunos de pré-escola, com idade média de 5,6 anos, de ambos os sexos. As análises feitas através das respostas dos professores, revelaram que 3,9% das crianćas do respectivo estudo apresentaram prevalźncia ą depressčo.

Outra pesquisa de destaque é a de Golfeto et al. 26, que avaliaram as propriedades psicométricas do Inventário de Depressčo Infantil (CDI) adaptado para o Brasil, por meio da análise fatorial e de consistźncia interna, com uma amostra de 287 escolares de Ribeirčo Preto, situados entre 7 e 14 anos. A conclusčo foi de que o CDI é útil para rastrear sintomas gerais de depressčo.

De acordo com Barbosa e Lucena27, a escola é um local favorável ą realizaćčo de estudos epidemiológicos em crianćas. O comportamento depressivo na infČncia, muito provavelmente, apresentará suas consequźncias no contexto educacional, assim, o baixo rendimento escolar representa um dos primeiros sinais do surgimento de um possível quadro depressivo. Segundo Andriola e Cavalvante25, o diagnóstico precoce revela-se imprescindível para que os comportamentos depressivos possam ser com mais facilidade tratados e (ou) modificados.

Coutinho, Moreira e Jacquemin28 ressaltam a importČncia de pesquisas que possam servir na avaliaćčo da sintomatologia da depressčo infantil, nčo apenas para explicar a dor humana gerada por esse transtorno, mas para intervir na melhoria da qualidade da vida humana, através de práticas preventivas e educacionais nas instituićões escolar e familiar.

No que se refere ą sintomatologia depressiva, o presente estudo poderá criar subsídios que auxiliem nas reflexões pertinentes ao quadro da depressčo infantil, podendo contribuir para uma melhor compreensčo desse importante fenômeno humano e, assim, proporcionar condićões para a conscientizaćčo em relaćčo ao tema e sobre a importČncia do diagnóstico precoce dos sintomas depressivos, tornando mais provável a amenizaćčo do quadro em crianćas.

Do ponto de vista antropológico, a depressčo infantil caracteriza-se como uma possível categoria para diferentes aspectos da realidade, levando a identificaćčo de problemas de outra ordem. Podem identificar a insatisfaćčo dos adultos frente ą realidade psíquica das crianćas. Por isso, pode ser compreendida de forma diferenciada de quadros correlatos em adultos, sob o ponto de vista da realidade cultural.29

Tratando-se de realidade, reflexões de Cruvinel e Boruchovitch30 enfatizam que o estudo e a melhor compreensčo da depressčo infantil podem levar ą minimizaćčo de várias dificuldades cotidianas de grande grupo de crianćas, principalmente no ambiente escolar e educacional, por ser espaćo onde a crianća passa grande parte de tempo e é onde os sintomas podem surgir de forma mais evidente. Outro aspecto a ser considerado na investigaćčo da depressčo infantil é a constituićčo das relaćões familiares, estudos apontam estreita relaćčo entre a saúde mental dos pais e de crianćas que apresentaram quadros de depressčo infantil, constituindo-se assim como outro fator importante de realidade a ser considerada31. Tanto escola como ambiente familiar sčo espaćos de importante análise para consideraćões da depressčo infantil.

Diante do que foi exposto teoricamente, o presente artigo avaliou a incidźncia de sintomas depressivos em crianćas de 1Ľ a 4Ľ série do Ensino Fundamental, estabelecendo um comparativo com as questões sóciodemográficas das crianćas envolvidas na pesquisa.

 

MÉTODO

 

Sujeitos:

Participaram da pesquisa 80 crianćas de 1Ľ a 4Ľ série do Ensino Fundamental, sendo 40 crianćas de uma escola pública e as outras 40 de uma escola privada, ambas situadas na Grande Sčo Paulo. De cada série especificada, participaram dez crianćas, divididas igualmente quanto ao sexo.

 

Instrumento para a coleta de dados:

Os dados foram levantados a partir do Inventário de Depressčo Infantil (CDI), que surgiu inicialmente nos Estados Unidos e propõe mensurar os sintomas depressivos em crianćas e adolescentes, situados na faixa-etária dos sete aos dezessete anos. Seu objetivo geral é detectar a presenća e seriedade de Transtorno Depressivo. É um instrumento que foi normatizado e adaptado para a cidade de Jočo Pessoa – Brasil –  por Barbosa e Lucena27. Na versčo adaptada, o CDI possui 20 itens, cada um dos itens consta com trźs općões de respostas, para cada uma delas um valor correspondente (a = 0; b = 1 e c = 2). O sujeito deve assinalar a općčo que melhor o descreve nas últimas duas semanas. Das trźs općões apresentadas em cada item, uma refere-se ą normalidade, outra ą severidade dos sintomas e a terceira ą enfermidade clínica mais significativa.

            Apesar da maioria dos estudos brasileiros sobre depressčo infantil, utilizando o CDI, empregarem o ponto de corte 17, preferiu-se, neste estudo, utilizar o ponto de corte 16, excluindo um item do questionário. Essa preferźncia foi baseada na pesquisa de Cruvinel23. O item que se optou retirar foi o 9, de maneira que o inventário ficou composto de um total  de 19 itens. O item 9 refere-se a uma questčo que investiga a intenćčo suicida; sua retirada justifica-se na medida que se escolheu a faixa etária correspondente a alunos de 1Ľ a 4Ľ série do Ensino Fundamental e, como aborda Cassorla32, o suicídio em crianćas é uma condićčo pouco frequente, sendo que a depressčo nčo precisa, necessariamente, estar associada ao suicídio; também, omitiu-se o referido item, com o propósito de evitar que as crianćas pudessem abalar-se emocionalmente com essa questčo.

            Assim como na pesquisa anteriormente descrita, a retirada do item 9 foi estatisticamente levada em conta e foram realizados ajustes no cálculo das médias dos sujeitos no inventário. Dessa forma, a pontuaćčo máxima será 38 e a mínima 0.

            O CDI foi escolhido por se tratar de instrumento psicométrico de avaliaćčo da depressčo infantil que possibilita a identificaćčo quantitativa da prevalźncia da depressčo em crianćas. Estudos mostraram a confiabilidade do inventário em pesquisas e também na identificaćčo clínica do quadro de depressčo infantil.

            O instrumento pode ser uma interessante estratégia para levantar o reconhecimento e a triagem com sintomas depressivos, embora solicitar que uma crianća estabeleća as respostas sobre seus sentimentos pode ser tarefa complexa33.

O CDI mostrou-se adequado como instrumento de screenning, qualquer que seja o contexto onde a crianća se insere. Dados da pesquisa realizada apresentam composićčo trifatorial e um alfa de Cronbach de 0,85 no CDI, demonstrando boa consistźncia interna, tal informaćčo indica que a adaptaćčo brasileira para o inventário apresenta aspectos psicométricos satisfatórios, embora mais estudos sejam necessários para generalizaćões nacionais34.

Análises mostraram que o CDI é claramente uma medida unifatorial que avalia a depressčo infantil a partir de uma estrutura fatorial dentro do que é recomendado pela literatura psicométrica, apesar de indicar, também, a necessidade de pesquisas em outros contextos com amostras heterogźneas35.

 

Procedimento para a coleta de dados:

Inicialmente a pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitź de Ética em Pesquisas com Seres Humanos da Universidade Guarulhos.

Foi realizado um contato com uma escola privada e outra pública, para que fossem explicitados os objetivos da pesquisa, solicitando a autorizaćčo para a sua realizaćčo. Em seguida, foram enviados os termos de consentimento para os pais de cada crianća de 1Ľ a 4Ľ série do Ensino Fundamental, dos turnos da manhč e tarde.

A partir desses passos, iniciou-se a aplicaćčo do CDI nas crianćas que estavam devidamente autorizadas. Em um primeiro momento, optou-se pela aplicaćčo coletiva, com excećčo da 1Ľ série; porém, no decorrer do processo, observou-se a necessidade da aplicaćčo individual, principalmente no que se refere a adequada compreensčo das questões. Alguns casos foram retomados, e praticamente a partir do segundo dia de aplicaćčo, optou-se pela aplicaćčo individual do inventário.

Para a aplicaćčo, inicialmente coletiva, do CDI, foi dada a seguinte instrućčo: “Vocźs irčo responder este questionário. Observem que eles tźm trźs općões; escolham uma delas e marquem com um X aquela que vocźs escolheram. Nčo deixem nenhuma pergunta sem ser respondida, entenderam?”20

Para a aplicaćčo individual do CDI, foi dada a seguinte instrućčo: “Eu vou ler algumas questões que possuem trźs općões de resposta; vocź deverá escolher com qual delas vocź mais se identifica e me dizer apenas uma općčo. Se nčo entender algo pode perguntar que eu explico ou leio novamente. Alguma dúvida?”.

 

RESULTADOS

 

Para a apresentaćčo dos resultados sčo levados em conta os objetivos do presente estudo, que se referem ą avaliaćčo da incidźncia dos sintomas depressivos, estabelecendo um comparativo com as questões sóciodemográficas das crianćas envolvidas na pesquisa.

            A Tabela 1 apresenta os dados demográficos da amostra da escola pública, com sexo, idade e série escolar. As idades variaram entre 7 e 11 anos, com uma média de 8,13 anos e desvio padrčo de 1,2.

 

A Tabela 2 refere-se aos dados demográficos da amostra da escola privada, que apresentam idades entre 7 e 10 anos, com uma média de 8,18 anos e desvio padrčo de 1,02.

 

           

A Figura 1 ilustra as idades distribuídas em séries da amostra da escola pública, destacando que 25% das crianćas com 7 anos estčo na 1Ľ série; 15% com 8 anos e 2,5% com 11 anos estčo na 3Ľ série; 17,5% das crianćas com 9 anos estčo na 4Ľ série; e, finalmente, as crianćas com 10 anos representam 7,5% da amostra e também estčo na 4Ľ série.

 

Como apresenta a Figura 2, agora referindo-se ą distribuićčo das idades em série da amostra da escola privada, também 25% das crianćas com 7 anos estčo na 1Ľ série; 17,5% das crianćas com 8 anos estčo na 3Ľ série; das crianćas com 9 anos, 2,5% estčo na 2Ľ série e 10% na 4Ľ série; a maioria das crianćas da 4Ľ série possuem 10 anos, representando um percentual de 15%.

 

 

 

Como ilustra a Figura 3, na amostra da escola pública, 15% das crianćas possuem sintomas depressivos (N=6); já como observa-se na Figura 4, na amostra da escola privada  5% das crianćas possuem sintomas depressivos (N=2).

 

Na Tabela 3, é possível observar que 83,3% das crianćas da escola pública com sintomas depressivos sčo do sexo masculino; 33,3% possuem 7 e 8 anos, situados na 2Ľ e 3Ľ séries. Nas crianćas com 10 anos nčo foi observada a presenća significativa de sintomas depressivos.

      Já na Tabela 4, que representa a amostra da escola privada, 100% das crianćas com sintomas depressivos sčo do sexo feminino, com idades de 7 e 8 anos, situadas na 1Ľ e 3Ľ séries.

 

            Na Figura 5, que representa a amostra de crianćas com sintomatologia depressiva tanto da escola pública como da privada, observa-se que o percentual de meninos ainda permanece mais elevado, com 62%, enquanto que as meninas representam 38% da amostra referida.

Em relaćčo ąs respostas, da amostra total, emitidas pelas crianćas da escola pública, tem-se que, destas crianćas, 47,5% temem que coisas ruins lhes acontećam; 45% das crianćas se divertem somente com algumas coisas; e 42,5% acreditam que possuem alguns aspectos negativos em sua aparźncia.

Quando os dados das crianćas de escola pública com sintomas depressivos sčo separadas, tem-se que, no que se refere ą općčo de maior gravidade, 83,3% expressaram que estčo sempre cansados e sempre se sentem sozinhos; 66,7% afirmaram que estčo sempre tristes, que nada dará certo para eles, e que sempre possuem dificuldades para dormirem ą noite; 50% das crianćas responderam que fazem tudo errado, que tudo de mau que lhes acontece é por sua culpa, e que sempre sentem-se preocupados; e 36% afirmaram que nada é divertido para elas, que possuem certeza que coisas terríveis lhes acontecerčo, e que nčo podem ser tčo bons quanto outras crianćas.

Na análise das respostas emitidas pelas crianćas da escola privada, considerando-se a amostra total, observa-se que destas crianćas, 50% afirmaram que nčo tźm certeza se as coisas darčo certo para elas, e que temem que coisas ruins lhes acontećam; 37,5% expressaram que se sentem sozinhas muitas vezes, que se divertem na escola somente de vez em quando, e que nčo fazem o que mandam com frequźncia.

Separando-se as respostas emitidas no CDI pelas crianćas com sintomas depressivos da escola privada, verifica-se que destas crianćas, no que se refere ą općčo de maior gravidade, 100% responderam que fazem tudo errado, que se odeiam, que se acham feias, e que nunca fazem o que mandam; 50% afirmaram que nada dará certo para elas, que nčo se divertem com nada, que sčo sempre más, tźm certeza que coisas terríveis lhes acontecerčo, que tudo de mau que lhes acontece é por sua culpa, sentem vontade de chorar diariamente, sempre sentem-se preocupadas, nčo gostam de estar com pessoas, sempre sentem-se sozinhas, e que nčo podem ser tčo boas quanto as outras crianćas.

     

A Tabela 5 refere-se ą pontuaćčo média obtida no CDI. Observa-se que a pontuaćčo média da escola pública foi de 10,15, enquanto que na escola privada, cai para uma média de 7,18 pontos. A média da escola pública, somada ao seu desvio padrčo, confere com o ponto de corte (16) utilizado nesta pesquisa, enquanto que na escola privada a média mais o desvio padrčo (12,3), distancia-se significativamente do ponto de corte.

Para avaliar estatisticamente a relaćčo das pontuaćões obtidas no CDI entre a escola pública e a privada, foi utilizada a correlaćčo de Pearson. O resultado (r = 0,1) revela uma correlaćčo direta muito fraca, ou seja, nčo foram observadas correlaćões significativas na pontuaćčo do CDI entre as escolas. Também nčo houve diferenća significativa entre o CDI e idade (r = -0,03).

            A correlaćčo de Pearson também foi utilizada para avaliar possíveis relaćões entre a pontuaćčo no CDI e idade. Os resultados tanto da escola pública (r = -0,03) como da privada (r = -0,1), revelaram que nčo há correlaćões significativas entre sintomas depressivos e idade.

 

DISCUSSŐO

 

            Verificou-se na populaćčo estudada, que 15% das crianćas da amostra da escola pública possuem sintomas de depressčo, porquanto na amostra da escola privada, o resultado fora de 5%.

Nota-se uma diferenća no resultado entre as escolas, apontando para diferenćas sócioeconômicas como um fator que pode interferir sobre a sintomatologia da depressčo infantil. Há de se considerar a escassez de estudos que abordam a influźncia de questões sócioeconômicas sobre a sintomatologia depressiva. A escola pública, na qual parte da amostra foi composta, situa-se em uma regičo periférica bastante carente, favorecendo para um número maior de estressores que podem desencadear os sintomas da depressčo, porém, somente em crianćas que já possuam tal predisposićčo, assim como sugere os apontamentos de Hankin e Abramson36 sobre um modelo cognitivo de vulnerabilidade ao estresse.

            Dos 15% de crianćas com sintomas depressivos da escola pública, 83,3% sčo do sexo masculino, e apenas 16,7% do sexo feminino. Este dado confere com o apresentado na literatura internacional por Hankin e Abramson36 de que em meninos os sintomas da depressčo infantil sčo mais frequentes antes da adolescźncia, já os sintomas depressivos em meninas intensificam-se no início da adolescźncia. No estudo de Twenge e Nolen-Hoeksema37, observou-se que nas meninas os sintomas depressivos tiveram seu pico aos 15 anos, enquanto que nos garotos os sintomas permaneceram estáveis; porém, estatisticamente nčo houve dados significantes para que a diferenća quanto ao gźnero pudesse ser estabelecida. Baptista38, relata que os fatores biológicos parecem desempenhar um importante papel, já que a diferenća entre meninos e meninas modificam-se na adolescźncia.

            Qualitativamente, no que se refere ą diferenća quanto ao sexo das crianćas da escola pública com a sintomatologia depressiva, observou-se que grande parte dos meninos trabalham com os pais para ajudarem nas despesas de casa; já no caso das meninas, o único discurso observado, foi o de que auxiliam nas atividades domésticas. Os meninos, neste caso, possuem uma responsabilidade muito superior ą esperada para sua idade.

            Em relaćčo ąs idades das crianćas com sintomas depressivos, a maioria situa-se entre 7 e 8 anos, o que difere, em parte, das pesquisas na área, denotando necessidade de maiores investigaćões, ou até mesmo, sugerindo que a sintomatologia depressiva possa ocorrer mais cedo do observado até entčo.

            Os principais sintomas depressivos observados na amostra total da escola pública referem-se ą općčo “B” de resposta e possui menor gravidade: sentimento de medo (“Eu temo que coisas ruins me acontećam”). Outro item com significativa frequźncia foi o que se refere ą autoimagem (“Minha aparźncia tem alguns aspectos negativos”). Destaca-se que alternativas como estas podem estar associadas a padrões sócioculturais. Atualmente, questões como violźncia, principalmente nas grandes metrópoles, podem justificar, em parte, a resposta do medo; o culto ao corpo, temática contemporČnea, pode ser desencadeador de respostas como “aparźncia com alguns aspectos negativos”, e que nčo necessariamente, caracterizem a sintomatologia depressiva. As općões que tiveram menor frequźncia foram “Eu sinto vontade de chorar diariamente”, “Eu me odeio”. Só houve uma općčo nčo respondida pelas crianćas: “Eu nunca faćo o que me mandam”.

            Em relaćčo ą amostra total da escola privada, os principais sintomas depressivos também referem-se ą općčo “B”: pessimismo (“Eu nčo tenho certeza se as coisas darčo certo para mim”) e medo (“Eu temo que coisas ruins me acontećam”). As općões de menor frequźncia foram “Eu estou sempre triste”, “Eu me odeio”, “Eu sinto vontade de chorar diariamente” e “Eu nčo gosto de estar com as pessoas”. Duas općões nčo obtiveram escolha: “Eu nunca me divirto na escola” e “Ninguém gosta de mim”.

Os principais sintomas depressivos observados na escola pública, dentre as crianćas que ultrapassaram o ponto de corte, foram sintomas físicos, relatados como cansaćo / fadiga (“Eu estou sempre cansado”), sentimentos de solidčo (“Eu sempre me sinto sozinho”), de tristeza (“Eu estou sempre triste”), perturbaćões no sono (“Eu tenho sempre dificuldade para dormir ą noite”), pessimismo (“Nada vai dar certo para mim”), sentimentos de desvalia (“Eu faćo tudo errado), sentimento de culpa (“Tudo de mau que acontece é por minha culpa”), e preocupaćčo (“Eu me sinto sempre preocupado”). Os itens que nčo obtiveram nenhuma resposta foram: “Eu sinto vontade de chorar diariamente”, “Eu sou feio”, “Eu nunca faćo o que me mandam”. Em relaćčo ą alta frequźncia das respostas sobre o cansaćo, durante a aplicaćčo do inventário, as crianćas ao serem questionadas sobre tal resposta, em sua grande maioria, respondiam que se cansavam, pois trabalhavam com os pais, e no caso das meninas, porque tinham que limpar a casa. Nestes casos, pode nčo haver, necessariamente, ligaćčo com a sintomatologia depressiva.

            Dentre as crianćas da escola privada que ultrapassaram o ponto de corte, os principais sintomas depressivos foram sentimentos de desvalia (“Eu faćo tudo errado”, “Eu me odeio”, “Eu sou feio”, “Eu sou sempre mau (má)”, “Nčo posso ser tčo bom quanto outras crianćas”), desobediźncia / rebeldia (“Eu nunca faćo o que me manda”), pessimismo (“Nada vai dar certo para mim”, “Eu tenho certeza que coisas terríveis me acontecerčo”), anedonia (“Nada é divertido para mim”), culpa (“Tudo de mau que acontece é por minha culpa”), choro (“Eu sinto vontade de chorar diariamente”), sentimento de preocupaćčo (“Eu me sinto sempre preocupado”), sentimento ambivalentes no que se refere ao estar só (“Eu nčo gosto de estar com as pessoas”, “Eu sempre me sinto sozinho”). Os itens que nčo obtiveram nenhuma resposta foram: “Eu estou sempre triste”, “Eu estou sempre cansado”, “Eu nunca me divirto na escola”, e “Ninguém gosta de mim”.

            Os sintomas apresentados pelas crianćas que ultrapassaram o ponto de corte conferem com a maioria dos sintomas descritos na pesquisa de Cruvinel23. A autora relata que os principais sintomas depressivos observados em sua pesquisa foram os de culpa, solidčo, tristeza, pessimismo e choro. Na presente pesquisa, a questčo do choro só esteve presente nas crianćas da escola privada, sendo que nas crianćas da escola pública, esta questčo nčo foi mencionada. Nesse sentido, pode-se supor que estas crianćas possuem maior dificuldade para expressarem suas emoćões, o que pode justificar a alta frequźncia da resposta sobre a tristeza; em contrapartida, nas crianćas da escola particular, a questčo do sentimento de tristeza foi pouco frequente.

            O sentimento de solidčo, que foi mencionado em ambas as escolas, pode ser associado ao prejuízo nas relaćões interpessoais, característico da sintomatologia depressiva. Andriola e Cavalcante25, explicam que crianćas deprimidas tendem a serem socialmente passivas, pois acreditam que serčo punidas ou rejeitadas se forem mais ativas.

Em relaćčo ąs médias obtidas na pontuaćčo do CDI, o fato da média da escola pública, somada ao seu desvio padrčo, conferir com o ponto de corte (16), e ą média da escola privada, mais o desvio padrčo (12,3), distanciar-se significativamente do ponto de corte, pode sugerir que, na amostra da escola pública, as crianćas com sintomas depressivos estčo mais próximas ą realidade da amostra total, enquanto que as crianćas com sintomas depressivos da escola privada, destoam acentuadamente da maioria das crianćas da amostra geral.

            Quanto ą verificaćčo estatística desta pesquisa, os resultados foram semelhantes aos da pesquisa de Cruvinel23 no que se refere ao CDI e idade; em ambas as pesquisas nčo foram encontradas relaćões significativas entre estas variáveis. Isto sugere a necessidade de estudos mais amplos que possam assegurar tais resultados.

Na correlaćčo estabelecida para verificar as possíveis relaćões da pontuaćčo do CDI obtida entre as duas escolas, o resultado revela uma correlaćčo direta muito fraca (r = 0,1), ou seja, de maneira geral as pontuaćões elevadas ocorrem tanto na escola pública como na escola privada. Apesar da média de pontos da escola pública ser maior que a média apresentada na escola privada, tal diferenća nčo se apresenta quantitativamente significativa, mas sim qualitativamente relevante. Tal fato deve-se ao fato de que, mesmo que a incidźncia de sintomas depressivos tenha sido maior na escola pública, as crianćas com sintomas depressivos da escola privada obtiveram uma pontuaćčo bastante elevada, o que contribui para a correlaćčo ser direta. De maneira geral, nčo foram observadas correlaćões significativas na pontuaćčo do CDI entre as escolas.

            Na aplicaćčo do CDI, observou-se que muitas crianćas, especialmente as de 7 e 8 anos, apresentaram dificuldades na interpretaćčo de alguns itens deste instrumento, exigindo que sua aplicaćčo fosse individual. A dificuldade mais clara foi a de compreender o que significam os termos “frequentemente”, “de vez em quando” e “ąs vezes”; as expressões “normalmente”, “aspectos negativos”, “temo” e “diariamente” tiveram que ser substituídas por substantivos de compreensčo mais fácil. Golfeto et al.26, observaram em sua pesquisa semelhantes dificuldades de compreensčo por parte das crianćas, principalmente no que se refere ąs idades de 7 e 8 anos e aos termos “frequentemente”, “de vez em quando” e “ąs vezes”.

            Pereira39, ao verificar a validade e a precisčo da Escala de Avaliaćčo de Depressčo para Crianćas, desenvolveu uma análise semČntica dos itens, constatando a necessidade de reformular alguns itens e a exclusčo de um item que foi considerado inadequado, pois as crianćas estavam compreendo-o indevidamente. Os itens da escala utilizada pela autora possuem semelhanćas com o CDI, e um dos itens que houve grande dificuldade de compreensčo e que assemelha-se bastante ao item do CDI foi “Eu me sinto sozinho”, sendo reformulado para “Eu me sinto abandonado”.

            Para garantir maior credibilidade aos resultados da presente pesquisa, diante do que foi supracitado, vale ressaltar que a aplicaćčo do CDI foi feita individualmente. Este procedimento, também favoreceu a captaćčo de aspectos qualitativos da pesquisa.

 

CONSIDERAāÕES FINAIS

 

            Existem poucas pesquisas destinadas ą compreensčo da sintomatologia depressiva em crianćas, como também instrumentos pouco adequados ą realidade brasileira. No Brasil nčo há um estudo epidemiológico que forneća informaćões mais precisas sobre a incidźncia da depressčo infantil.

É importante salientar que o Inventário de Depressčo Infantil (CDI) verifica a presenća da sintomatologia da depressčo infantil, mas nčo a diagnostica. Mesmo sendo um inventário frequentemente utilizado, verificou-se a necessidade de adaptaćões mais precisas ą realidade brasileira.

Foram detectadas 15% de crianćas com sintomas depressivos na escola pública, e os principais sintomas observados foram os de fadiga, solidčo, tristeza, perturbaćčo do sono, pessimismo, sentimento de menos valia, sentimento de culpa e preocupaćčo. Na escola privada, há incidźncia de 5% de crianćas com sintomas depressivos, e os principais sintomas detectados foram sentimentos de menos valia, desobediźncia / rebeldia, pessimismo, anedonia, culpa, choro, preocupaćčo e solidčo. Há diferenćas sintomatológicas apresentadas entres as escolas, principalmente a questčo do choro e a da nčo obediźncia. As crianćas da escola privada reportam-se como sendo muito desobedientes, enquanto que as crianćas da escola pública nem mencionam este item. Este tema deve ser melhor investigado para generalizaćões mais consistentes, assim como a questčo do choro deve ser melhor investigada, como foi mencionado na discussčo dos resultados.

Quanto ą diferenća de incidźncia de sintomas depressivos observados entre as escolas, faz-se necessário investigaćões mais amplas que possam abordar com mais precisčo as interferźncias sócioeconômicas sobre a sintomatologia depressiva. Contudo, esta pesquisa aponta fortemente para fatores sociais como desencadeadores dos sintomas depressivos em crianćas.

Fatores educacionais, relacionados diretamente a elementos sócioculturais interferiram na aplicaćčo literal do CDI, mostrando a necessidade de um aprimoramento do instrumento em seus procedimentos de aplicaćčo.

              De maneira geral, este estudo demonstra, como já foi abordado em outras pesquisas, que os sintomas da depressčo podem ser observados na infČncia, como também aponta a necessidade de pesquisas que possibilitem um maior esclarecimento sobre a sua manifestaćčo e sobre a probabilidade dos fatores sociais serem um dos desencadeadores da depressčo. As pesquisas nesse sentido sčo fundamentais para os profissionais da área e para os pais dessas crianćas, uma vez que oferece maior possibilidade de reconhecimento precoce dos sintomas e, consequentemente, maior possibilidade de amenizaćčo do quadro depressivo. Os sintomas depressivos, se ainda nčo oferecem dados suficientes para caracterizaćčo de um quadro clínico, oferecem indícios de que a crianća está sofrendo e que, se nada for feito, o quadro pode ser agravado, principalmente, com a chegada da adolescźncia.

 

AGRADECIMENTOS

            Trabalho realizado com Apoio PIBIC – UnG.

 

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* Giovana Viveiros Fernandes - Graduada em Psicologia pela Universidade Guarulhos.

** Paulo Francisco de Castro - Professor orientador. Professor Adjunto do Curso de Psicologia da Universidade Guarulhos e Professor Assistente Doutor do Departamento de Psicologia da Universidade de Taubaté. e-mail: pcastro@prof.ung.br



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