CONDIÇÕES DE SAÚDE DOS ASSOCIADOS EM COOPERATIVA DE RECICLAGEM DE LIXO URBANO: DIAGNÓSTICO E PROPOSTAS DE INTERVENÇÃO – ESTUDO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.33947/educacao.v21i1.5466Palavras-chave:
Resíduos Sólidos, Reciclagem, Cooperativas, Vulnerabilidades em Saúde, Determinantes Sociais da Saúde, Saúde do Trabalhador, Saúde ColetivaResumo
Esta pesquisa analisa as condições de saúde dos catadores de resíduos sólidos de uma cooperativa de reciclagem localizada na periferia do município de Guarulhos, SP, fundada em 2015, sob a perspectiva dos determinantes sociais da saúde e da vulnerabilidade social. Trata-se de um estudo descritivo-exploratório, com abordagem mista (quantitativa e qualitativa), realizado com 20 trabalhadores cooperados e gestão. O perfil sociodemográfico revelou predominância feminina (70%), baixa escolaridade (100% com ensino fundamental), renda de até um salário-mínimo em 80% dos casos e acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 90% dos participantes. A análise ocupacional demonstrou que 40% dos cooperados nunca utilizam equipamentos de proteção individual (EPI), e 80% relataram dor musculoesquelética decorrente de esforço físico intenso, movimentos repetitivos e levantamento de cargas. No campo da saúde mental, 100% dos entrevistados relataram sinais compatíveis com sintomas ansiosos e depressivos, e 100% avaliaram negativamente sua qualidade de vida. A insegurança alimentar afetou 60% dos participantes em algum grau, e 80% dependem de benefícios sociais para subsistência. O conhecimento sobre políticas públicas é baixo (80% conhecem pouco; 20% desconhecem totalmente), e 80% avaliam essas políticas como pouco eficazes ou ineficazes. A análise econômica da cooperativa revelou faturamento médio de R$ 30.000,00/mês, com processamento de 50 toneladas de recicláveis mensais. Os dados qualitativos identificaram as categorias centrais: precarização do trabalho, necessidade de apoio institucional, saúde do trabalhador deficitária, inclusão social e perspectivas de desenvolvimento. Conclui-se que a inserção cooperativada, embora represente avanço organizacional em relação ao trabalho informal individual, não é suficiente para romper com a lógica de precarização e vulnerabilidade multidimensional. Os achados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas intersetoriais que articulem saúde, trabalho, assistência social e meio ambiente, com atuação estratégica da enfermagem na promoção da saúde dessa população.
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