DEPRESSÌO EM IDOSOS

DEPRESSION IN THE ELDERLY

 

Mello E* & Teixeira MB**

 

RESUMO: Trata-se de um artigo de revis‹o integrativa que teve como objetivos verificar o que os profissionais de saœde, t�m escrito sobre a depress‹o nos idosos e identificar como estes profissionais est‹o diagnosticando e tratando os idosos com depress‹o. Na busca por artigos referentes a tem‡tica encontramos 47, que subdividimos em 5 grupos: preval�ncia de depress‹o em idosos depress‹o e tratamento; depress‹o e altera�›es cognitivas; idoso e qualidade de vida e idoso e  outros.

PALAVRAS-CHAVE: Envelhecimento. Depress‹o. Idosos. Intera�‹o social.

 

ABSTRACT: Depression is one of the pathologies that has been growing in the population in general and more intensely among the elderly, affecting the quality of life of these individuals. Myths, such as regarding the symptomatology of depression as something specific of aging, may lead to non-diagnosis and, consequently may aggravate a condition that could be treated and lead to recovery. When investigating the literature related to the subject, we found 47 articles, which were subdivided into 5 groups: prevalence of depression in the elderly; depression and treatment; depression and cognitive changes; the elderly and quality of life, and the elderly and the others.

KEYWORDS: Aging. Depression. Elderly. Social Interaction.

 

INTRODU‚ÌO

No Brasil consideramos a pessoa idosa aquela que tem 60 anos ou mais (Estatuto do Idoso). Conforme os dados do IBGE, hoje h‡ no Brasil cerca de 32 milh›es de pessoas idosas, sendo a maioria de mulheres viœvas, com baixa escolaridade e com uma renda mensal menor comparada a dos homens da mesma faixa et‡ria.

Garrido1 cita que no Brasil, em 1991, havia cerca de 10,7 milh›es de pessoas com 60 anos ou mais. Em 2005, havia 33,9 idosos para cada grupo de 100 jovens. Estima-se que em 2025, este numero chegar‡ a 15% da popula�‹o e em 2050 atingiremos a marca de 24%; logo o Brasil deixar‡ de ser o pa’s da juventude, para tornar-se o pa’s dos idosos.

O envelhecer humano Ž visto e estudado em aspectos interligados: o f’sico, o social e o psicol—gico. Com o chegar da idade a pessoa vai perdendo sua vitalidade, suas for�as v‹o diminuindo e o mundo parece que n‹o tem mais o espa�o que tinha antes para que o idoso possa viver e sentir-se vivo. Com a aposentadoria, principalmente os homens, perdem uma grande parte do seu conv’vio social, n‹o encontram seu espa�o dentro de casa e, em muitos casos, esta situa�‹o n‹o Ž bem aceita pela fam’lia. Dificuldades conjugais v‹o se avolumando dia ap—s dia, e a perda do poder aquisitivo leva o idoso a fechar-se no seu mundo.

A viuvez Ž outro fator de perda para o idoso, pois unida a ela vem ˆ solid‹o e pode ocorrer ainda a perda de conviv�ncia com outros casais, pois os viœvos se encontram menos.

A sociedade capitalista supervaloriza a produ�‹o e o consumo. O idoso n‹o produz, ou se produz, j‡ n‹o Ž tanto como antes e tambŽm por perder seu poder aquisitivo com a aposentadoria consome menos e por isto a sociedade n‹o o valoriza.

A imagem que muitos idosos tem de si mesmo Ž negativa, como aquele ser que n‹o consegue fazer isto ou aquilo, que n‹o tem for�as para fazer o que fazia antes, que n‹o se lembra mais das coisas como antes, que seu corpo n‹o responde mais aos movimentos e n‹o faltam aqueles que ao olhar no espelho dizem para si mesmo Òeu j‡ fui muito bonito(a)Ó, muitos ainda t�m que conviver com a perda da possibilidade do auto cuidado e da perda da independ�ncia seja ela decorrente de problemas financeiros ou da perda da capacidade sensorial (vis‹o e audi�‹o)2.

Existe ainda aquele idoso que j‡ tendo anteriormente um relacionamento dif’cil com seus familiares e com amigos agora ele Ž isolado e em casos extremos s‹o institucionalizados em ambientes confinados, nos quais podem perder sua liberdade e atŽ mesmo sua identidade. Esses ambientes por mais saud‡veis que sejam n‹o conseguem reproduzir o ambiente familiar, s‹o lugares em que os afetos s‹o deixados de lado, tornando-se assim um ambiente estressante. Nestas situa�›es o sentimento de abandono por parte da fam’lia fala mais alto do que a acolhida proporcionada pela institui�‹o. Isto gera ao idoso um alto n’vel de tens‹o que passa a ser somatizado e surgem as mais diversas sintomatologias (dor pelo corpo, angœstia, palpita�‹o, ins™nia, gripes, resfriados) bem como sintomas ps’quicos como irritabilidade, tristeza profunda; hipobulia; hipoatividade, que n‹o sendo observados e tratados podem evoluir para um quadro mais grave: a depress‹o3,4.

 

A DEPRESSÌO NO IDOSO

Em 1979, a OMS (Organiza�‹o Mundial da Saœde) calculava que um em cada 10 idosos sofria de depress‹o, ou seja, 10% da popula�‹o idosa5,6.

Depress‹o Ž doen�a, n‹o Ž algo que fa�a parte do envelhecer. Pode ser prevenida e tratada, e Ž esta nossa responsabilidade como profissionais de saœde.

A depress‹o Ž a doen�a psiqui‡trica mais comum entre os idosos, frequentemente sem diagn—stico e sem tratamento. Ela afeta sua qualidade de vida, aumentando a carga econ™mica por seus custos diretos e indiretos e, pode levar a tend�ncias suicidas. Os pacientes deprimidos mostram-se insatisfeitos com o que lhes Ž oferecido, havendo interrup�‹o em seus estilos de vida, redu�‹o de seu n’vel s—cioecon™mico quando ficam impossibilitados de trabalhar. AlŽm disso, h‡ priva�‹o interpessoal particularmente naqueles que se isolam em decorr�ncia da depress‹o e, naturalmente, naqueles que encurtam suas expectativas de vida, seja por suic’dio ou por doen�as som‡ticas relacionadas ˆ depress‹o3,4,6,7.

A depress‹o geri‡trica Ž multifatorial. Os fatores genŽticos embora presentes pouco contribuem; atualmente mudan�as que ocorrem no metabolismo dos neurotransmissores alŽm das altera�›es hormonais e a desincroniza�‹o do ritmo card’aco, s‹o tidas como as principais causas da depress‹o. H‡ de se considerar ainda os fatores sociais e saœde f’sica.  Altera�›es da acuidade visual e auditiva s‹o fatores que contribuem fortemente para a depress‹o, pois levam o idoso ao isolamento8.

Aproximadamente 50% dos pacientes com dem�ncia, 25% dos pacientes com doen�a cŽrebro vascular e 50% dos pacientes com Parkinson, tem tambŽm associada ˆ depress‹o.

O C—digo Internacional de Doen�as (CID 10) classifica os quadros depressivos em quatro tipos e traz para cada um deles os sintomas (som‡ticos e ps’quicos), bem como o tempo de dura�‹o e o nœmero de sintomas presentes em cada tipo para que possa ser diagnosticado com seguran�a2,3.

Segundo Scalco8 um diagn—stico mais preciso de depress‹o em idosos n‹o consegue se enquadrar nos epis—dios descritos no CID 10, pois esses foram estabelecidos para adultos jovens, sem levar em conta que os idosos tendem a expressar sintomas em forma de queixas f’sicas e ao mesmo tempo tem certa relut‰ncia em relatar sintomas psiqui‡tricos. Faz-se necess‡rio considerar os sintomas depressivos e n‹o necessariamente uma s’ndrome depressiva completa para diagnosticar a depress‹o em idosos. Ela Ž diagnosticada pelas seguintes altera�›es: falta de energia; distœrbios do sono; altera�›es do humor e da motiva�‹o (voli�‹o); melancolia; anorexia; perda de peso; sintomas hipocondr’acos; sintomas som‡ticos; agita�‹o ou retardamento psicomotor; preju’zos cognitivos; humor depressivo, tend�ncia a enfatizar as dificuldades e responder Òn‹o seiÓ as perguntas.

Deve-se considerar que ele comumente fala bastante e, ao mesmo tempo, fala pouco dos seus sentimentos; os sintomas som‡ticos podem estar escondendo os sintomas depressivos; a depress‹o pode estar presente no idoso, porŽm ela n‹o Ž uma doen�a pr—pria da terceira idade, tristeza n‹o Ž sin™nimo de depress‹o.

Todo profissional da saœde dever‡ estar apto a perceber sintomas de depress‹o e dever‡ encaminhar o paciente e a fam’lia para o tratamento com uma equipe especializada.

O trabalho do profissional dever‡ conduzir o idoso de tal forma que esse possa retomar sua vida e conduzi-la normalmente dentro de suas capacidades e limita�›es; como tambŽm o trabalho terap�utico haver‡ de proporcionar apoio emocional ao idoso, reduzindo sua ansiedade e elevando sua confian�a e autoestima.

Os autores Carvalho & Fernandes5 fazem a seguinte sugest‹o de terapias para o geronte: Psicoterapia Breve; Terapia Cognitiva comportamental; Terapia de Revis‹o e Terapia de Grupo. Muitos idosos t�m encontrado no grupo um local para expressar suas angœstias e ao mesmo tempo identificar-se com as angœstias dos outros. Encontram nele prote�‹o e meios para desenvolverem o desejo de uma vida mais saud‡vel, com aqueles que vivem os mesmos dramas. O grupo tambŽm proporciona uma maior socializa�‹o, aumenta a autoestima e autovaloriza�‹o, esclarece e resolve conflitos intraps’quicos e interpessoais.

Na depress‹o geri‡trica, juntamente com todas as terapias poss’veis de recupera�‹o do idoso, vale destacar que o suporte social que ele disp›e Ž fundamental para que sua resposta seja mais adequada a este tratamento3,9.

Frente a tudo acima descrito e considerando que os conhecimentos te—ricos delineiam a pr‡tica profissional, este trabalho teve como objetivos verificar o que os profissionais de saœde, t�m escrito sobre a depress‹o nos idosos e identificar como estes profissionais est‹o diagnosticando e tratando os idosos com depress‹o.

 

MƒTODO

Foi realizado um estudo de revis‹o integrativa da literatura, em revistas indexadas nas bases Lilacs, ScieLo e na revista Kair—s (publica�‹o espec’fica do grupo de estudos de geriatria da PUC-SP), utilizando os descritores: idoso; depress‹o; tratamento.

Os critŽrios de inclus‹o foram:  artigos  publicados no per’odo de 2002 a 2009 relacionados a idosos( pessoas com 60 anos ou mais).

Durante a pesquisa foram encontrados 86 artigos, dentre os quais foram exclu’dos 39, ap—s a an‡lise do t’tulo e resumo dos mesmos quanto ˆ adequa�‹o ao tema proposto e critŽrios de inclus‹o.

Os 47 restantes foram lidos na ’ntegra e ap—s fichamento os dados foram agrupados em  cinco categorias, analisados quantitativamente (nœmero e porcentagem) e apresentados em forma de tabelas e quadros.

 

RESULTADOS E DISCUSSÌO

Os artigos selecionados foram divididos, ap—s leitura em cinco categorias, conforme pode ser visto na tabela 1.

 

Tabela 1 - Distribui�‹o dos artigos segundo categoria.

CATEGORIAS

N¼

%

Preval�ncia de depress‹o em idosos

14

29,8

Depress‹o e tratamento

12

25,5

Depress‹o e altera�›es cognitivas

7

14,9

Idoso e qualidade de vida

3

6,4

Idoso e outros

11

23,4

TOTAL

47

100,0

 

Dos 47 (100,0%) artigos 6 (12,7%) s‹o de divulga�‹o sendo o restante artigos resultantes de pesquisas. Esse fato nos indica o grande interesse dos profissionais de saœde em estudar esse quadro, importante na popula�‹o idosa, pois, segundo Carvalho (1996), 10% dos idosos tem depress‹o e segundo Duarte & Rego10 de 15% a 20% dos idosos n‹o institucionalizados apresentam sintomas depressivos.

Tabela 2 - Distribui�‹o dos artigos segundo ano de publica�‹o.

ANO

N¼

%

1999

1

2,1

2000

-

-

2001

1

2,1

2002

6

12,8

2003

1

2,1

2004

2

4,3

2005

4

8,5

2006

9

19,1

2007

10

21,3

2008

8

17,0

2009

5

10,6

TOTAL

47

100,0

 

Tabela 3 - Distribui�‹o das revistas segundo nœmero de artigos publicados.

Revistas

N¼

%

Rev. bras. psiquiatria

8

17,0

J. bras. psiquiatria;

4

8,5

Rev. psiquiatria Rio Gd. Sul;

4

8,5

Rev. saœde publica�‹o

2

4,3

Rev. bras. epidemiologia

2

4,3

Dement. neuropsychol;

2

4,3

Acta sci

2

4,3

Psicologia reflex‹o critica

2

4,3

Psico USF; RBM; Aval. psicol; Arq. int. otorrinolaringol; Rev. baiana saœde pœblica; Rev. bras. saœde matern. Infan; Ter. man; Rev. bras. ci�nc. mov; Acta mŽd.; Rev. psiquiatr. cl’n.; An. Fac. Med. Univ. Fed. Pernamb;

Rev. Assoc. Med. Bras.; Revista Br‡s. Geriatr. e  gerontol ; Mundo saœde; Sci. med; Estud. psicol.; Rev. psicol; Rev. bras. cineantropom. desempenho hum; Cad. Saœde pœblica; Saude soc.; Ci�nc. saœde coletiva.

* cada revista com 1 artigo

21*

44,7

TOTAL

47

100,0

 

Como era de se esperar devido ˆ tem‡tica, as revistas ligadas ˆ ‡rea de psiquiatria publicaram 18 (38,3%) dos 47 (100,0) artigos.

 

Quadro 1 - Distribui�‹o dos artigos de pesquisa da categoria Òpreval�ncia de depress‹o em idososÓ, segundo objetivos do estudo.

Categoria: Òpreval�ncia de depress‹o em idososÓ

Objetivos das pesquisas

Analisar a influ�ncia de fatores sociodemogr‡ficos, de saœde f’sica, capacidade funcional e fun�‹o cognitiva sobre a sintomatologia depressiva de idosos do munic’pio de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte.

Investigar a preval�ncia de incontin�ncia urin‡ria entre idosos de S‹o Paulo, Brasil, e fatores associados e de risco.

Realizar uma revis‹o da literatura sobre a incid�ncia de depress‹o geri‡trica e os fatores de risco associados em idosos residentes na comunidade.

Estimar a preval�ncia de sintomas depressivos em idosos institucionalizados e as vari‡veis associadas a este evento.

Investigar a intensidade e preval�ncia de sintomatologia depressiva em idosas participantes da Universidade para a Terceira Idade (UNITI) da Universidade Federal do Rio grande do Sul.

Determinar a preval�ncia de depress‹o em idosos que frequentam centros de conviv�ncia.

Verificar a preval�ncia da sintomatologia depressiva na popula�‹o de idosos com idade superior a 60 anos, numa ‡rea adstrita do PSF, no Munic’pio de Maring‡, Estado do Paran‡.

Investigar caracter’sticas quantitativas e qualitativas dos sintomas depressivos em diferentes popula�›es de idosos.

Determinar a preval�ncia de depress‹o maior em uma popula�‹o de sujeitos acima de 80 anos residentes na comunidade, comparar os padr›es de sono e a fun�‹o cognitiva entre controles normais e sujeitos com depress‹o maior e estimar a frequ�ncia de outros transtornos psiqui‡tricos entre controles e sujeitos deprimidos.

Avaliar a preval�ncia de depress‹o em idosos internados em um hospital terci‡rio, atravŽs da aplica�‹o da Escala de Depress‹o Geri‡trica Yesavage em vers‹o reduzida (GDS-15).

Avaliar a preval�ncia de depress‹o em tr�s anos consecutivos na popula�‹o de idosos residentes em um lar protegido no Rio de Janeiro.

Identificar a presen�a de depress‹o em idosos que frequentaram o Programa Universidade Aberta ˆ Terceira Idade, da Universidade Federal de Pernambuco, considerando vari‡veis demogr‡ficas e socioecon™micas.

Coletar informa�›es sobre as condi�›es de vida dos idosos (60 anos e mais) residentes em ‡reas urbanas de metr—poles de sete pa’ses da AmŽrica Latina e Caribe - entre elas, o Munic’pio de S‹o Paulo - e avaliar diferenciais de coorte, g�nero e socioecon™micos com rela�‹o ao estado de saœde, acesso e utiliza�‹o de cuidados de saœde.

Determinar a preval�ncia de depress‹o em idosos, que residem no Abrigo Cristo Redentor, Jaboat‹o dos Guararapes, Pernambuco. Os autores  relatam que em uma amostra de 55 idosos, identificaram a depress‹o em 28 idosos (51%), dentre os quais dezoito homens (64,3%) e dez mulheres (35,7%).

 

A an‡lise dos dados acima nos levou a inferir que o conteœdo dos textos encontrados esta em sintonia com o preconizado atualmente pelos estudiosos da ‡rea, cuja preocupa�‹o maior Ž sempre investigar a rela�‹o entre patologia e seu impacto na qualidade de vida. Nos artigos do quadro acima podemos notar tambŽm esta preocupa�‹o, em muitos percebemos que os autores, alŽm de estimar a preval�ncia de quadros depressivos, buscaram correlacionar os sintomas apresentados com perdas na qualidade e estilo de vida3,4.

O idoso deprimido est‡ sujeito a uma serie de altera�›es no estilo de vida, como: altera�›es das fun�›es cognitivas; redu�‹o do n’vel s—cioecon™mico; redu�‹o da rede social de intera�‹o, em consequ�ncia do seu isolamento.

Scalco8, chama a aten�‹o que o diagn—stico da depress‹o em idosos n‹o se enquadra nas caracter’sticas oferecidas pelo CID-10, logo a utiliza�‹o da GDS-15, como vimos em v‡rios textos encontrados est‡ se tornando o instrumento adequado para a elabora�‹o do diagn—stico de depress‹o no idoso, por ser um instrumento simples e f‡cil de ser utilizado.

Luders9, afirma que o suporte social se torna imprescind’vel para que o idoso que j‡ tenha acompanhamento mŽdico e terap�utico supere a depress‹o. Verificamos que nos textos encontrados que esta afirma�‹o n‹o aparece como algo determinante na supera�‹o da depress‹o geri‡trica.

 

Quadro 2 - Distribui�‹o dos artigos de pesquisa da categoria ÒDepress‹o e altera�›es cognitivasÓ segundo objetivos do estudo.

 

Categoria: Òdepress‹o e altera�›es cognitivasÓ

Objetivos das pesquisas

Avaliar o impacto de treino cognitivo de 8 sess›es na funcionalidade e desempenho cognitivo em idosos com CCL.

Verificar a rela�‹o entre a queixa de mem—ria e a idade no envelhecimento normal e a rela�‹o da queixa com o desempenho cognitivo.

Avaliar os n’veis de afetividade e os dŽficits das fun�›es cognitivas.

Promover uma revis‹o sobre estudos publicados nos œltimos anos sobre altera�›es cognitivas em idosos com diagn—stico de depress‹o.

Comparar o desempenho cognitivo de idosos com psicose, depress‹o e dem�ncia em um ambulat—rio de saœde mental.

Avaliar a frequ�ncia de sintomas depressivos e o desempenho cognitivo de idosos institucionalizados e n‹o institucionalizados e comparar os escores nos testes em fun�‹o da institucionaliza�‹o e da realiza�‹o de atividades oferecidas pela institui�‹o.

Identificar o estado de saœde mental de idosos iniciantes em um programa de exerc’cio f’sico e analisar a associa�‹o entre os indicadores sociodemogr‡ficos com a pontua�‹o das escalas geri‡trica.

 

A preocupa�‹o inerente aos textos mencionados acima nos leva a reafirmar Scalco8, que menciona que o diagn—stico de depress‹o em idosos ultrapassa o apresentado pela CID-10, pois, no idoso, o dŽficit cognitivo Ž o fator primordial para chegarmos a uma conclus‹o sobre o estado depressivo do paciente: a depress‹o leva o paciente a apresentar preju’zos cognitivos. O preju’zo cognitivo interfere no diagn—stico de depress‹o, pois o paciente ter‡ dificuldades em relatar seus momentos de tristezas, suas angœstias, bem como tambŽm ter‡ dificuldades em evocar lembran�as do passado para que este possa relatar quais foram as que ocorreram na sua vida, quanto as suas atividades prazerosas e compar‡-las com o cotidiano vivido no momento3.

Nestes textos encontras na base de dados pesquisada n‹o encontramos textos propondo algo mais concreto de como realizar o diagn—stico com pacientes dentro deste quadro de dŽficit cognitivo, como tambŽm n‹o encontramos sugest›es ou relatos de experi�ncia nesse sentido.

 

Quadro 3 - Distribui�‹o dos artigos de pesquisa, da categoria Òdepress‹o e tratamentoÓ segundo objetivos do estudo.

Categoria: Òdepress‹o e tratamentoÓ

Objetivos das pesquisas

Verificar a influ�ncia do exerc’cio f’sico e da atividade f’sica nos aspectos psicol—gicos (’ndices indicativos para depress‹o e ansiedade) em idosos.

Investigar  as concentra�›es plasm‡ticas em estado de equil’brio da paroxetina em idosos.

Avaliar a associa�‹o entre n’vel de atividade f’sica e o estado de saœde mental de pessoas idosas.

Revisar a literatura quanto (i) ao poss’vel efeito protetor do exerc’cio f’sico sobre a incid�ncia de depress‹o e (ii) ˆ efic‡cia do exerc’cio f’sico como interven�‹o no tratamento da depress‹o.

Avaliar estudos que analisaram o papel da atividade f’sica nos diferentes n’veis de preven�‹o dos transtornos depressivos (depress‹o maior, depress‹o menor e distimia) em idosos.

Revisar ensaios cl’nicos que examinaram a efic‡cia da psicoterapia versus os tratamentos farmacol—gicos, sozinhos ou combinados, para pessoas idosas com depress‹o.

Revisar ensaios cl’nicos aleatorizados e n‹o-aleatorizados com o objetivo de estabelecer se o tratamento antidepressivo de manuten�‹o reduz o risco de reca’da e recorr�ncia de depress‹o em idosos.

Examinar o efeito de um programa de exerc’cio f’sico aer—bio na intensidade do limiar ventilat—rio 1 (VT-1) nos escores indicativos de depress‹o e ansiedade e na qualidade de vida de idosos saud‡veis.

Verificar a tend�ncia ao estado depressivo em idosos praticantes de atividade f’sica.

 

Nesta categoria encontramos tambŽm 3 artigos de divulga�‹o, cujos assuntos apresentamos a seguir.

Um dos artigos os autores apontam que o manejo dos efeitos adversos em pacientes idosos que usam muito mais medica�›es e apresentam mais doen�as, Ž ponto decisivo na escolha de antidepressivos; em outro a autora relata que Ž  indispens‡vel que o mŽdico conhe�a o paciente que ir‡ tratar e o perfil de efeitos adversos e de poss’veis intera�›es medicamentosas dos antidepressivos para poder escolher o mais adequado para cada paciente; e no terceiro artigo de divulga�‹o o autor afirma serem os antidepressivos tric’clicos eficazes com idosos por serem  drogas relativamente seguras se bem indicadas e manejadas, respeitando-se as limita�›es de seu uso em pacientes geri‡tricos, bem como suas contraindica�›es clinicas e farmacol—gicas3,6.

Dentro da classifica�‹o tem‡tica desse quadro, percebemos sua import‰ncia, quando nos recordamos o texto de Bemy2, que nos apresenta as limita�›es f’sicas e tambŽm as vindas do decl’nio dos —rg‹os sensoriais, como um fator agravante no desenvolvimento da depress‹o. Estes estudos nos levam a concluir que os idosos que se envolvem na pr‡tica de atividades f’sicas tendem a diminuir e ao mesmo tempo superar limita�›es f’sicas o que pode vir a proporcionar uma amplia�‹o da rede social de relacionamentos, na qual fica mais f‡cil o idoso conviver com a pr—pria idade e suas limita�›es.

Exerc’cios f’sicos s‹o imprescind’veis para os idosos, pois alŽm dos benef’cios citados estes proporcionar‹o aos idosos uma melhor absor�‹o dos medicamentos, como tambŽm ir‡ proporcionar aos idosos um equil’brio entre o estado de vig’lia e o sono, proporcionando assim uma qualidade de vida mais satisfat—ria aos idosos.

Pol’ticas pœblicas de saœde envolvendo os idosos t�m surgido em muitas cidades do Brasil, como, por exemplo, os CRI (centro de referencia para idoso), tem proporcionado muitas oportunidades para os idosos, como atividades f’sicas, de lazer, cultural e de intera�‹o social. A limita�‹o destas atividades se d‡ por estar apenas ÒcuidadoÓ dos idosos que v�m em busca de tais atividades, ainda falta ˆquela pol’tica de ir ao encontro do idoso e proporcionar a ele as condi�›es que lhe falta para participar de tais atividades, como por exemplo, uma ampla campanha junto aos postos de saœde divulgando e mostrando os trabalhos nesta linha para os idosos.

 

Quadro 4 - Distribui�‹o dos artigos de pesquisa, da categoria Òidoso e qualidade de vidaÓ segundo objetivos do estudo.

Categoria: Òidoso e qualidade de vidaÓ

Objetivos das pesquisas

Verificar a qualidade de vida de idosos praticantes de grupo terap�utico

Examinar a associa�‹o entre o tempo de participa�‹o na Universidade para a Terceira Idade e as dimens›es de personalidade, a qualidade de vida e a depress‹o em idosas.

Investigar as habilidades sociais, o apoio social, a qualidade de vida e a depress‹o de idosos da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UnATI/UERJ), de contextos familiares e de asilos utilizando como instrumentos de coleta o Invent‡rio de Habilidades Sociais; a Medida de Apoio Social; o WHOQOL-ABREVIADO e a Escala de Depress‹o em Geriatria.

 

            Tomando como par‰metro a defini�‹o de que Òqualidade de vida Ž viver da melhor forma poss’velÓ e respeitando a subjetividade de cada individuo idoso, encontramos idosos com qualidade de vida satisfat—ria, quando estes frequentam atividades como as mencionadas no quadro acima, pois as mesmas contribuem para que o idoso, ao vivenciar momentos de socializa�‹o saud‡veis, obtenham uma melhor qualidade de vida3,11.

 

Quadro 5 - Distribui�‹o dos artigos de pesquisa, da categoria Òidoso e outrosÓ segundo objetivos do estudo.

Categoria: Òidoso e outrosÓ

Objetivos das pesquisas

Determinar os aspectos ambientais envolvidos na longevidade usando uma tŽcnica de metodologia qualitativa denominada teoria fundamentada nos dados, tendo como popula�‹o ex-ferrovi‡rios longevos.

 Analisar a associa�‹o, em uma coorte urbana de idosos, entre sintomatologia depressiva e outros indicadores de capacidade funcional com a mortalidade ap—s 15 anos de seguimento.

Verificar e analisar se houve altera�‹o na capacidade funcional e preval�ncia de sintomas depressivos ap—s tr�s meses da cirurgia card’aca

Apreender as representa�›es sociais (RS) dos idosos institucionalizados sobre depress‹o

Investigar as rela�›es entre eventos de vida estressantes, estratŽgias de enfrentamento, autoefic‡cia no enfrentamento e depress‹o.

Identificar eventos da maturidade possivelmente relacionados ˆ depress‹o feminina.

Correlacionar sintomatologia depressiva e atividades sociais em idosos

 Examinar a influ�ncia da personalidade no surgimento de sintomas depressivos em idosas

Verificar a presen�a de fatores de risco para quedas de idosos institucionalizados

 

            Dois dos artigos eram de divulga�‹o, um relatando a influ�ncia da defici�ncia auditiva na vida social e familiar do idoso e no outro os autores, a partir do conceito de depress‹o tecem uma sŽrie de coment‡rios sobre epidemiologia e tratamento desta doen�a.

 

CONSIDERA‚ÍES FINAIS

            Considerando os dados acima, podemos inferir que a depress‹o em idosos Ž realmente uma quest‹o de saœde pœblica que n‹o pode mais ficar ausente nas preocupa�›es dos governantes e tambŽm dos profissionais de saœde, pois com o aumento da popula�‹o idosa o nœmero de pessoas com esta patologia tende a ser sempre maior. Consideramos que os ’ndices de depress‹o em idosos como foram mencionados anteriormente tendem a serem maiores do que encontrado nas pesquisas, pois os sintomas depressivos; como o n‹o querer falar de si e isolar-ser s‹o um empecilho para que o diagn—stico de depress‹o seja correto. As queixas som‡ticas se tornam um agravante para que o diagn—stico da depress‹o venha a ser err™neo, pois muitos idosos falam das queixas ps’quicas como queixas som‡ticas e nem sempre os profissionais da saœde est‹o atentos a ouvir essas queixas como elas realmente s‹o, pois se assim fossem estes ’ndices de depress‹o certamente seriam maiores.

            Esta afirma�‹o condiz com minha experi�ncia profissional (psic—logo). Atendendo idosos nestes doze anos de consult—rio percebo que os mesmos procuram atendimento por uma dor que n‹o passa apesar do tratamento cl’nico e medicamentoso. Utilizando a Terapia Cognitiva Comportamental, observo que ap—s algumas sess›es aonde o v’nculo entre paciente e profissional vai se estabelecendo, o paciente tende a relatar com mais liberdade suas angœstias, dores, tristezas e os momentos depressivos que o mesmo vem passando; logo, a queixa inicial n‹o Ž a queixa real que o traz ao consult—rio.

            Na Terapia Cognitiva Comportamental, o paciente Ž levado a relatar os acontecimentos tristes da sua vida. O profissional o leva a perceber o que desencadeou uma crise depressiva, como este vivenciou tal situa�‹o e o que a mesma representou para ele, tendo assim uma associa�‹o entre os diversos momentos de tristezas ou negativos de sua vida, como que de uma forma autom‡tica este vai somando os momentos estressores da vida a tal ponto que o indiv’duo se sente impotente para lidar com tantos problemas. A este ponto o paciente Ž levado a enfrentar cada situa�‹o em separado, aonde ele vai adquirindo confian�a em si mesmo para enfrentar os problemas. O profissional (psic—logo) vai buscando na est—ria de vida do paciente, exemplos onde o mesmo enfrentou as dificuldades e teve �xito.

            Nesta din‰mica de atendimento, o processo Ž lento, progressivo e satisfat—rio. Percebo que os resultados s‹o benŽficos ao paciente. No idoso depressivo o uso de medica�‹o Ž indispens‡vel, pois sem a mesma n‹o haveria tantos resultados positivos.

            Acrescentam-se esta din‰mica de atendimento algumas orienta�›es para que o idoso depressivo busque novos la�os afetivos e de socializa�‹o, como: frequentar mais assiduamente sua igreja, frequentar grupos de terceira idade ou centro de refer�ncia para idosos, fazer trabalhos volunt‡rios, praticar atividades f’sicas e de prefer�ncia as que s‹o praticadas em grupos; tudo isto para que o idoso possa perceber que a vida pode ser melhor quando compartilhada com outras pessoas, mesmo que em alguns momentos do dia ou da semana.

            Outra orienta�‹o que vem dando bons resultados Ž ajudar o idoso para que este foque as aten�›es da sua vida, naquilo que ele gostaria de ter feito e ainda n‹o fez; isto Ž: algum sonho ou projeto de vida que n‹o pode ser realizado por alguma circunst‰ncia ou motivo qualquer e readequar-se este sonho dentro das limita�›es pessoais do idoso para que ele busque realizar tais sonhos ou projetos. Em outras palavras, o profissional ajuda o idoso a sonhar novamente e organizar-se para que esses sonhos se tornem realidade, assim o idoso possa Òsentir-se vivoÓ novamente.

 

REFERENCIAS

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* Elisio Mello - Psicologo. Especialista em gerontologia e geriatriz. e-mail: discipuloamado@uol.com.br

** Marina Borges Teixeira – Profa. Dr.a do curso de  Mestrado em enfermagem da Universidade Guarulhos – UnG. e-mail: marina-teixeira@uol.com.br