VÍNCULOS E RUPTURAS EM GRUPOS DE TRABALHO NA UNIVERSIDADE: UMA ANALISE PSICANALITICA DA EXPERIENCIA ACADEMICA
DOI:
https://doi.org/10.33947/educacao.v21i1.5439Palavras-chave:
grupos de trabalho universitários, psicanálise dos grupos, vínculos institucionais, subjetividade, sofrimento psíquicoResumo
Este estudo tem como objetivo compreender as experiências afetivas e relacionais vivenciadas por estudantes em grupos de estudo no contexto universitário, a partir da perspectiva psicanalítica dos grupos. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, realizada com 41 estudantes do curso de Psicologia da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID). A coleta de dados ocorreu por meio de questionário semiestruturado. Os dados foram organizados em frequências relativas e submetidos à análise de conteúdo temática proposta por Bardin (2016), articulada às contribuições teóricas de Bion, Pichon-Rivière e Kaës sobre dinâmica grupal e vínculos.
Os resultados indicam que a formação dos grupos ocorre predominantemente por afinidade entre os participantes, sendo os vínculos afetivos um elemento central para a coesão e o funcionamento grupal. Também foram identificadas dificuldades relacionadas à gestão de conflitos, divisão de tarefas e participação desigual entre os membros. A análise evidencia que os grupos de estudo se configuram como espaços de aprendizagem acadêmica e de elaboração psíquica, mobilizando processos identificatórios, afetivos e defensivos.
Conclui-se que a compreensão das dinâmicas psíquicas presentes nos grupos universitários pode contribuir para práticas pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento coletivo, o pertencimento e a formação profissional dos estudantes de Psicologia.
Referências
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. 3. ed. Lisboa: Edições 70, 2016.
BION, Wilfred Ruprecht. Experiências em grupos. Rio de Janeiro: Imago, 2004. (Obra original publicada em 1961).
BIRMAN, Joel. Mal-estar na atualidade: a psicanálise e as novas formas de subjetivação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
BIRMAN, Joel. Arquivos do mal-estar e da resistência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.
CIAMPA, Antonio da Costa. A estória do Severino e a história da Severina: um ensaio de psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1987.
DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez, 1992.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2014. (Obra original publicada em 1975).
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (Obra original publicada em 1930).
FREUD, Sigmund. Novas conferências introdutórias sobre psicanálise. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (Obra original publicada em 1933).
FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu e outros textos. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. (Obra original publicada em 1921).
KAËS, René. O grupo e o sujeito do grupo: elementos para uma teoria psicanalítica do grupo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997.
KAËS, René. As alianças inconscientes. São Paulo: Ideias & Letras, 2016.
KUPFER, Maria Cristina. O sujeito na clínica psicanalítica com crianças. 7. ed. São Paulo: Escuta, 2021.
PICHON-RIVIÈRE, Enrique. O processo grupal. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2009. (Obra original publicada em 1971).